a tranquilizadora perpetuação das mesmas coisas de sempre.

Fatalmente, chega um momento em que cada um, em um grupo, ocupa um lugar. Virgile era o sujeito sarcástico e fantasioso. Seus amigos estavam acostumados com a sua depressão crônica e com o espetáculo anual de seus amores tragicômicos. Ele desempenhara esse papel para ser aceito e amado, cercado de gente e compreendido, a fim de contribuir para a tranquilizadora perpetuação das mesmas coisas de sempre. Seus amigos também representavam os seus papéis na peça, sem questionar o texto nem o personagem. Por que eles não sumiam um pouco, meu Deus? Será que não viam que tornar-se um fantasma era a melhor maneira de existir? Virgile tinha vontade de ficar ali no telhado e ser recolhido por uma daquelas nuvens que se aproximavam vindas do horizonte. (…)

Como não podemos ser felizes nem renunciar a sê-lo, ele havia, bem antes, tomado a decisão, para evitar qualquer sofrimento, de não se fazer notar, de não se mover. Mas esse tempo chegara ao fim. Ele ia mudar alguma coisa em sua vida, não sabia ainda o quê, mas começaria a agir.

Martin Page, Talvez uma História de Amor (Rocco)

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