Oração aos vivos para que sejam perdoados por estarem vivos.

 

Eu suplico-vos
fazei qualquer coisa
aprendei um passo
uma dança
alguma coisa que vos justifique
que vos dê o direito
de vestir a vossa pele o vosso pêlo
aprendei a andar e a rir
porque será completamente estúpido
no fim
que tantos tenham sido mortos
e que vós viveis
sem nada fazer da vossa vida.

Charlotte Delbo (1913-1945)

Do ótimo Do trapézio, sem rede

A vida, segundo Nietzsche (II)

Se, em tudo o que você quer fazer, começar perguntando: “Tenho certeza de que desejo fazê-lo infinitas vezes?”, isso se tornará o centro de gravidade mais sólido para você…Eis o ensinamento de minha doutrina (*): “Viva de forma a ter de desejar reviver – é o dever -, pois, em todo caso, você reviverá! Aquele para quem o esforço é a alegria suprema, que se esforce! Aquele que ama antes de tudo o repouso, que repouse! Aquele que ama antes de tudo se submeter, obedecer e seguir, que obedeça! Mas que saiba para o que dirige sua preferência, e não recue diante de nenhum meio! É a eternidade que está em jogo!” Essa doutrina é suave para aqueles que nela não têm fé. Ela não tem nem inferno nem ameaças. Aquele que não tem fé não sentirá em si senão uma vida fugidia.

F. Nietzsche, A Vontade de Poder.

(*) Doutrina do Eterno Retorno.

A vida, segundo Nietzsche.

Juízos, juízos de valor sobre a vida, a favor ou contra, nunca podem ser, em última instância, verdadeiros: não possuem outro valor senão o de sintomas – em si, tais, juízos são imbecilidades. É, pois, necessário estender os dedos para tentar apreender essa fineza extraordinária que reside no fato de que o valor da vida não pode ser avaliado. Não por um vivente, pois ele é parte, e até mesmo objeto de litígio; não por um morto, por uma outra razão. Da parte do filósofo, ver no valor da vida um problema significa uma dúvida contra ele, um ponto de interrogação em relação à sua sabedoria, uma falta de sabedoria.

F. Nietzsche, Crepúsculo dos Ídolos.

O intelecto.

Se o intelecto é alguma coisa divina em comparação com o homem, a vida segundo o intelecto é igualmente divina comparada à vida humana. Não se deve, pois, dar ouvidos aos que aconselham o homem, porque ele é homem, a limitar seus pensamentos às coisas humanas, e porque ele é mortal, às coisas mortais; mas o homem deve, na medida do possível, imortalizar-se e fazer tudo para viver de acordo com a parte mais nobre que há nele.

Aristóteles, da Ética a Nicômano.

E acho que o mundo muda mais a gente do que a gente muda o mundo.

Planejar o futuro é uma fuga, eu acho que planejar o futuro é mesmo uma fuga de viver o dia e olhar o que esta acontecendo agora, quando eu era criança eu nunca planejava o futuro e o tempo para mim parece que não passava, nem existia, só o presente, e tudo era mas intenso, hoje às vezes eu fico planejando o futuro, pensando no que eu vou ser, no que vou estudar, marketing, ou comunicação, ou sei lá o quê, chega de pensar no futuro, ah pensar no futuro cansa tanto! E quando vejo, o tempo passou e eu não percebi, Divirta-se, já que você não consegue mudar nada, essa é outra frase que fica na porta do meu quarto, a gente consegue mudar alguma coisa no mundo, um pouco, pouquíssimo, quase nada, e acho que o mundo muda mais a gente do que a gente muda o mundo.

Do conto “O meu Quarto“, de Ana Miranda.