Do julgamento.

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O que todos praticam com a melhor boa vontade, e o que todos fazem da pior maneira, é o julgamento, é a crítica. O que há de mais fácil e de mais usual é julgar; o que há de mais difícil e de mais raro é julgar bem. – Por quê? Porque, para julgar, basta estouvamento e necessidade, e porque para julgar bem, impõem-se muita reflexão e sabedoria.

Amiel, Diário Íntimo (Ediouro, pg. 241)

Da amizade.

O que ainda me causa impressão suave são as provas de apego e gratidão, testemunhos de estima ou de simpatia. Creio mesmo que só a isso me prendo. Ora, essa cordialidade não me foi recusada. Se eu vi arrefecerem-se muitas de minhas amizades, aprendi a conhecer algumas novas almas, e pude sondar alguns nobres corações.

Amiel, Diário Íntimo (Ediouro, pg. 214)

Da soliedariedade.

Segundo uma criança:

É quando a gente está dormindo e sonha que todo ser vivo do universo é uma parte da gente, e a gente sabe que só vai acordar de verdade quando todas essas partes tiverem despertado. Aí a gente fica logo querendo acordar todo mundo.

Meu individualismo.

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Recordo ter ouvido Oscar Wilde dizer-me:

“Não é por excesso de individualismo que pequei. Meu grande erro, a falta que não posso perdoar-me, é ter, um dia, deixado de obstinar-me em meu individualismo, deixado de crer nele para escutar os outros, deixado de crer que tinha razão em viver assim, duvidando de mim mesmo”.

Diário de André Gide, Trayectos, pg. 287.

Quais são os preferíveis?

Entre os que nos odeiam por nos conhecer, e os que nos odeiam porque não nos conhecem, Roger Martin du Gard e eu, nos perguntavamos, quais são os preferíveis.

Procurar, por si próprio, não amar nem odiar sem conhecimento de causa.

Alguns jóvens se declaram nossos inimigos sem preocupar-se o mínimo que seja por saber se não amamos talvez o que eles amam, e se não buscamos, de certo modo, o mesmo com eles.

Diários de André Gide, Trayectos, pg. 334.

Acordei triste.

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Acordei triste, estar triste não é ruim.
A tristeza é um sentimento suave e agradável.
logo bons pensamentos nos vêm à cabeça.
Sentimos pena de todo mundo,
da florzinha, porque suas folhas ficaram moles, e parece doente,
da avó, porque ela está velha e não demora a morrer.
Queremos ajudar a todos e também queremos nos tornar melhores.
Contos de fadas tristes também nos agradam,
o que indica que temos necessidade de tristeza,
como se ela fosse um anjo que pára, olha,
põe a mão na nossa cabeça,
e parece estar respirando pelas asas!
Ficamos com medo de que alguém venha estragar a nossa tristeza.
Estragar não, espantar…

Apresentação de Tatiana Belinsky ao livro de Janusz Korzak, Quando eu voltar a ser criança, São Paulo, Summus, 2001.