E irão se apaixonar.

“Eu tenho profundo respeito pelos desistentes” – Emil Cioran, filósofo romeno.

– Serge…Por que ele fez isso?
– Não há como fazer o velório neste final de semana.
– Conheço um pastor que pode falar sobre nosso irmão com certa… eloquência.
– Você tem que pensar na sua mãe. E em Clémence e Billie. Elas precisam de você.
– Mas ele não pensou em nós.
– Ele pensou em vocês o tempo todo. Sei que ele te adorava. Mas ele estava sofrendo tanto que esqueceu de vocês.
– Por que ele não nos disse que estava tão triste?
– Talvez ele não quisesse te preocupar.
– Ele não está mais sofrendo.
– E agora…O que será de nós?
– Bem, vocês irão…crescer…Lindas. E irão se apaixonar. E nós sempre estaremos aqui. Sempre estarei aqui por você.

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Porque minha leitura não é monótona nem unificadora.

Quando cito, extraio, mutilo, desenraizo. Há um objeto primeiro, colocado diante de mim, um texto que li, que leio: e o curso de minha leitura se interrompe numa frase. Volto atrás: re-leio. A frase relida torna-se fórmula autônoma dentro do texto. A releitura a desliga do que lhe é anterior e do que lhe é posterior. O fragmento escolhido converte-se ele mesmo em texto, não mais fragmento de texto, membro de frase ou de discurso, mas trecho escolhido, membro amputado; ainda não o enxerto, mas já órgão recortado e posto em reserva. Porque minha leitura não é monótona nem unificadora; ela faz explodir o texto, desmonta-o, dispersa-o. É por isso que, mesmo quando não sublinho alguma frase nem a transcrevo na minha caderneta, minha leitura já procede de um ato de citação que desagrega o texto e o destaca do contexto.

Do capítulo Ablação, do livro O Trabalho da Citação, de Antoine Compagnon.