Amor, Esperança & Otimismo, LydiaDavis, Relacionamentos

Bons momentos.

O que acontecia com eles era que cada mau momento produzia uma sensação ruim, que por sua vez levava a outros maus momentos, até que sua vida em comum ficou saturada de maus momentos, tão saturada que quase nada conseguia crescer naquela terra escura. Então, uma manhã, ela teve uma sensação de paz, remanescente da noite anterior, em que estava costurando na poltrona enquanto ele lia na sala. Um ou dois dias depois, ela teve de manhã uma sensação de contentamento, remanescente da noite anterior, em que ele lhe fazia companhia na cozinha enquanto ela lavava a louça do jantar. Se os bons momentos aumentassem, pensou ela, cada bom momento produziria uma sensação boa, que por sua vez produziria vários outros momentos, que também produziriam sensações boas. O que ela queria dizer com isso é que os bons momentos poderiam multiplicar-se talvez à proporção do quadrado do quadrado, ou mais rápido até, como ratos, ou como cogumelos brotando da noite para o dia dos esporos de outro cogumelo, que por sua vez também brotara da noite para o dia, junto com uma infinidade de outros cogumelos, de esporos dispersos, até que a vida dos dois ficasse tão saturada de bons momentos que os bons momentos expulsariam os maus, assim como os maus haviam expulsado os bons.

Lydia Davis, Tipos de Perturbação – Ficções, trad. Branca Vianna, Companhia das Letras

Beleza, Leitura, LydiaDavis

Leitura.

Às vezes fico lendo, aqui, à tarde, um ramo de murta na lapela, e algumas passagens do livro são tão belas que me convenço de que me tornei belo também.

Lydia Davis, Tipos de Perturbação – Ficções, trad. Branca Vianna, Companhia das Letras

Leitura, Livros, Vonnegut

Nunca desistam dos livros.

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Nunca desistam dos livros. É tão bom segurá-los nas mãos – com seu peso agradável. A relutância doce das páginas, quando as viramos com as pontas dos dedos sensíveis.

Boa parte do nosso cérebro dedica-se a decidir se o que nossas mãos tocam é bom ou ruim para nós. Qualquer cérebro que valha um centavo sabe que os livros são bons para nós.

Kurt Vonnegut, O que tem de mais lindo do que isso?, Rádio Londres, trad. de Petê Rissatti.

 

Homens

Homens.

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Os homens sempre têm alguma coisa de patético, em qualquer idade. Uma arrogância frágil, uma audácia pávida. Hoje, não sei mais dizer se alguma vez me suscitaram amor ou apenas uma afetuosa compreensão pelas suas fraquezas.

Elena Ferrante, A Filha Perdida, Intrínseca, trad. de Marcello Lino.