Frase.

Uma frase só existe quando é a extensão em letras da alma de quem a diz. É a soma das palavras e da tragédia que contém. Se não for assim, é só uma falsidade de vogais e de consoantes, um desperdício de som e de espaço.

Eliane Brum, do ótimo “A vida que ninguém vê“.

 

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Cânticos*

I

Não queiras ter pátria.
Não dividas a Terra.
Não dividas o Céu.
Não arranques pedaços ao mar.
Não queiras ter.
Nasce bem alto,
Que as coisas todas serão tuas.
Que alcançarás todos os horizontes.
Que o teu olhar, estando em toda parte
Estarás em tudo,
Como Deus.

II

Não sejas o de hoje.
Não suspires por ontens …
Não queiras ser o de amanhã.
Faze-te sem limites no tempo.
Vê a tua vida em todas as origens.
Em todas as existências.
Em todas as mortes.
E sabe que serás assim para sempre.
Não queiras marcar a tua passagem.
Ela prossegue:
É a passagem que se continua.
É a tua eternidade …
É a eternidade.
És tu.

III

Não digas onde acaba o dia.
Onde começa a noite.
Não fales palavras vãs.
As palavras do mundo.
Não digas onde começa a Terra,
Onde termina o céu.
Não digas até onde és tu.
Não digas desde onde é Deus.
Não fales palavras vãs.
Desfaze-te da vaidade triste de falar.
Pensa, completamente silencioso.
Até a glória de ficar silencioso,
Sem pensar.

* (3 de 26)

Cecília Meireles, “Antologia Poética“, Editora Record, 1963

Tem o direito de estar aqui.

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Quando você se compara aos outros, torna-se arrogante ou amarga, pois sempre haverá pessoas melhores e piores que você. Mantenha uma disciplina rígida, mas seja gentil com você mesma. É filha do universo, assim como as àrvores e as estrelas; tem o direito de estar aqui.

Excerto de uma carta da mãe de Sylvia a ela, Dos diários de Sylvia Plath, (Globo, pg. 250)