Estou sempre mudando.

Pai, não sei se está interessado em ouvir algo sobre mim. Minha vida não tem muito a ver…com o estilo de vida que você aprova. Estou sempre mudando. Não por estar trabalhando para algo em particular…eu só quero me afastar das coisas que vão dar errado.

Robert Dupea, personagem de Jack Nicholson no filme “Five Easy Pieces” (1970).

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Minha mãe dizia que a fofoca é a rádio do Diabo.

– O que as pessoas disseram sobre o acontecido na cidade?
– Há dois lados para cada história.
– As pessoas dizem isso, mas não acreditam nisso. Pensam de um jeito e não querem saber de mais nada.
– É, Sr., acho que as pessoas têm tanto medo do que não conhecem que não sabem o que fazer para se sentirem melhor. Mas acho que não sabemos a verdade real sobre nada. Eu sei que não. Apenas suponho na maior parte do tempo.

Do filme Get Low (2009).

O ateísmo de Jules Renard.

Vocês dizem que eu sou ateísta porque nem todos nós buscamos Deus da mesma maneira. Ou melhor, vocês acham que O encontraram. Parabéns. Eu ainda O estou procurando. E vou continuar a procurar pelos próximos dez ou vinte anos, se Ele me permitir viver. Temo não encontra-lO, mas vou continuar a procurar assim mesmo. Talvez Ele fique grato por eu estar tentando. E talvez tenha piedade da sua confiança arrogante e da sua fé preguiçosa, imbecil.

Jules Renard, deliciosamente mordaz.

Verdadeiramente vistos.

Passamos a vida vendo a nós mesmos e aos outros apenas parcialmente, e sendo vistos apenas parcialmente por eles. Quando nos apaixonamos, temos a esperança – tanto egoisticamente quanto altruisticamente – de que seremos, finalmente, verdadeiramente vistos: julgados e aprovados. É claro que o amor nem sempre traz aprovação: ser visto pode muito bem levar a uma não aceitação e a uma temporada no inferno (…) Antigamente, nós nos consolávamos dizendo que o amor humano, mesmo que breve e imperfeito, era apenas um aperitivo da visão maravilhosa e perfeita do amor divino. Agora ele é tudo o que temos, e precisamos nos contentar com nosso status rebaixado. Mas ainda ansiamos pelo consolo, e a verdade, de sermos vistos de forma completa. Isso daria um bom final, não daria?

Julian Barnes, no livro “Nada a Temer” (Rocco, pg. 197)

Patife, covarde e infame.

Um adversário que mostra a sua cara abertamente é uma pessoa honrada, moderada, com a qual é possível se entender, chegar a um acordo, a uma reconciliação; em compensação, um adversário escondido é um patife, covarde e infame, que não tem a coragem de assumir seus julgamentos, portanto alguém que não defende a sua opinião, mas se interessa apenas pelo prazer secreto que sente em descarregar sua ira sem ser reconhecido nem sofrer retaliações.

Comunicação sobre Goethe, Friedrich Riemer.

E vivo inquieto assim.

Aprendi desde criança
Que é melhor me calar
E dançar conforme a dança
Do que jamais ousar

Mas às vezes pressinto
Que não me enquadro na lei:
Minto sobre o que sinto
E esqueço tudo o que sei.

Só comigo ouso lutar,
Sem me poder vencer:
Tento afogar no mar
O fogo em que quero arder.

De dia caio minh’alma
Só à noite caio em mim
por isso me falta calma
e vivo inquieto assim.

“Canção da Alma Caiada”, Antônio Cícero