[001]

Anúncios

e compõe tuas forças com objetos que te resistem…

De pé! clama todo o meu corpo, é preciso romper com o impossível!…De pé! O milagre de ficar de pé se realiza. O quê de mais simples, o quê de mais inexplicável do que este prodígio, Equilíbrio? Apresenta-te agora, anda, junta-te a teus desígnios no espaço; segue teus olhares que levantaram voo em direção ao que se vê; penetra, com passos que se podem contar, na esfera das luzes e dos atos, e compõe tuas forças com objetos que te resistem…

Do Alfabeto de Paul Valéry (Autêntica), Trad. de Tomaz Tadeu.

Regra No. 5

The_Idea_by_lucasaguirre

Nada é original. Apropria-te de tudo o que te enche de inspiração ou estimula a tua imaginação. Devora sem distinção filmes velhos e filmes novos, músicas, livros, quadros, fotografias, poemas, sonhos, conversas ouvidas por acaso, arquitetura, sinaléctica urbana, árvores, nuvens, movimentos de água, sombras e luz. Rouba apenas as coisas que falem diretamente ao teu coração. Se agires assim, a tua criação (tal como o teu fruto) será autêntica. A autenticidade é inestimável; a originalidade uma quimera. E não tentes dissimular o que pediste emprestado – reivindica-o se for teu desejo. Dê por onde der, lembra-te sempre do que disse Jean-Luc Godard: “O importante não é onde se apanha as coisas – é até onde se as leva”.

Jim Jarmusch

Ó frutos!

Frutos, ó frutos!
Eu vos aguardo e espero em mim, ó frutos!
Minha fome não se deterá a meio caminho;
Só satisfeita emudecerá;
Preceitos não poderão dar conta dela
E com privações nunca pude senão alimentar a alma.

Satisfações! Eu vos procuro.
Sois belas como as auroras de verão.

André Gide, Frutos da Terra (Nova Fronteira, pg. 33)