La Tête en Friche

 

Imagine o encontro de duas forças. De um lado, mais de 100 quilos de pura ignorância e do outro menos de 50, carregados de ternura. Entre eles, uma diferença de décadas de idade e em comum, o encanto pelos livros. Esta é a história de um cinquentão pobre com as palavras e uma idosa inversamente rica com elas.

Quando criança, Germain (Gérard Depardieu) foi chamado de burro na escola por todos e em casa, com sua mãe solteira, não era diferente. A dificuldade de ler se perpetuou numa espécie de bloqueio intelectual. Já adulto, sua vida se resumia a viver de bicos, ainda ser alvo de brincadeira dos amigos e, principalmente, conviver com o eterno desamor da mãe. Contudo, quando Margueritte (Gisèle Casadesus) faz com que as páginas de um livro se abram novamente para ele, este reencontro com o universo das letras amplia seu horizonte e o único limite – agora – será somente a sua vontade.

Baseado no livro “La Tête en Friche”, de Marie-Sabine Roger, o filme foi dirigido por Jean Becker (Conversas com Meu Jardineiro), responsável também pelo roteiro, que conduz bem o espectador e de maneira cativante apresenta um drama com elementos de comédia. E é esse contraponto que ameniza a tristeza dos fatos, sem deixar de lado a emoção.

O resultado é uma produção delicada, que não apela para a pieguice, envolvendo você do começo ao fim, porque a amizade fomentada pelo prazer de viver (dela) e aprender (dele) é inesquecível. Assim, a qualquer hora do dia, eis um filme bom de assistir: Minhas Tardes com Margueritte.

Fonte: Adoro Cinema

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Achava.

– Não há nada de errado com sua vida. Apenas sente pena de si mesma. Um de seus grandes prazeres.
– E não é um dos seus? Você é tão patético quanto eu. Não sinto prazer em ter pena de mim!
– Nem eu! Não gosto nem um pouco.
– Você tem todas as respostas.
– Não, eu não tenho nenhuma.
– Já que é esperto, por que não dá uma reviravolta em sua vida? Por que não aceita o cargo em Stanford? Por que ficar numa pequena escola se pode ter o cargo que quiser?
– Acho que o que fiz valeu a pena.

A Single Man (2009)

Um tipo de amor.

– Quero te dizer uma coisa que talvez não faça muito sentido. Mas devo dizer para que um dia você possa se lembrar, e talvez isso te ajude a se sentir melhor. Em um certo momento da sua vida, provavelmente quando a maior parte dela já tiver passado…você vai abrir seus olhos e ver quem você realmente é…especialmente por tudo que a tornou tão diferente de todos os horríveis normais. E você vai dizer para você mesma…”Mas eu sou essa pessoa”. E nessa declaração, essa correção, haverá um tipo de amor.

– Estou com muito medo.

– Todos estamos.

Phoebe no País das Maravilhas (2008).

A boa construção.

– Como eu disse, o Go é um jogo de estratégia extraordinário. É o equivalente do nosso xadrez no Japão.
– Não é verdade.
– Outra invenção japonesa.
– Não é verdade. Os chineses inventaram Go, não os japoneses.
– Não, minha querida, foram os japoneses que o inventaram.
– Não, meu senhor, está errado.
– Não…
– Não é o equivalente ao xadrez. No xadrez, você mata para ganhar. Enquanto que no Go, o mais bonito é que se vive para vencer e deixar o adversário vivo.
– Paloma!
– Vida e morte são o resultado de uma boa e má construção.
– Paloma!
– O que conta é a boa construção.

A encantadora “Paloma”, no filme francês “Le Hérisson” (2009).

O que nos acontece.

[Aldous Huxley]

– Se alguém não gosta do presente, não há muita chance do futuro ser melhor.
– É, já pensei nisso.
– Mas a verdade é que nunca se sabe. Veja essa noite.
– Na verdade… Me sinto sozinho a maior parte do tempo.
– Mesmo?
– Sim.
– Sempre me senti assim. Nascemos sozinhos, morremos sozinho. E enquanto estivermos aqui, estaremos totalmente encerrados nos próprios corpos.
– Realmente estranho.
– Pensar nisso me deixa louco. Só podemos vivenciar o mundo exterior através da percepção parcial que temos. Quem sabe o que realmente gosta. Só vejo o que acho que você gosta.
– Sou exatamente o que aparento ser. Se olhar bem de perto. A única coisa que fez a coisa toda valer a pena foram aquelas poucas vezes que fui capaz de me conectar de verdade com outra pessoa.
– Tive uma intuição sobre o senhor.
– Teve?
– Sim, senhor.
– De que você pode ser um verdadeiro romântico. Sabe, todo mundo sempre diz que, quando se está mais velho, terá toda essa experiência, como algo fantástico.
– Grande merda, a cada dia nos tornamos mais insensatos.
– Mesmo?
– Definitivamente, sim.
– Então toda sua experiência é inútil?
– Eu não diria isso. Como diz Sr. Huxley: “A experiência não é o que acontece ao homem, é o que homem faz com que aconteça a ele.”

“A Single Man” (2009)