A esperança criticada.

Esperar é desejar sem fruir, sem saber e sem poder. – André Comte-Sponville.

Esperar é antes de tudo, desejar sem fruir, já que por definição, é claro que não possuímos os objetos de nossas esperanças. Esperar enriquecer, ser jovem, ter boa saúde, etc. certamente não é já sê-lo. É situar-se na falta do que gostaríamos de ser ou possuir. Mas é também desejar sem saber: se soubéssemos quando e como os objetos de nossas esperanças iriam se realizar, nós nos contentaríamos, sem dúvida, em aguardá-los, o que, se as palavras têm sentido, é muito diferente. Enfim, é desejar sem poder, visto que, ainda por comprovação, se tivéssemos a capacidade ou o poder de atualizar nossas aspirações, de realizá-las aqui e agora, não nos privaríamos delas. Limitar-nos-íamos a agir, sem passar pelo atalho da esperança.

O raciocínio é impecável. Frustração, ignorância, impotência, são essas as características maiores da esperança.

Luc Ferry, Aprender a Viver – Filosofia para os Novos Tempos (Objetiva, pg, 273)

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2 comentários sobre “A esperança criticada.

  1. Pingback: don't touch my moleskine » do verbo esperar

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