Por que é que o mundo é construído de forma tão solta?

– Com licença. Diga, conhece um inseto chamado “Efêmera”? A efêmera morre um ou dois dias após dar à luz. Então, seu corpo está vazio, sem estômago ou intestino. No lugar deles está cheio de ovos. É uma criatura que nasce apenas para dar à luz. Humanos não são muito diferentes. Não faz sentido..
– Sou vazia também…
– Uma maravilhosa coincidência. Sou igual. Sou todo vazio.
– Fico pensando se há outros.
– Atualmente, todos são.
– Todos?
– Sim, especialmente, aqueles que moram neste tipo de cidade.
– Você não é a única.
– Parece que a vida é construída de um modo que ninguém possa preenchê-la sozinho. Assim como não é o suficiente para as flores ter pistilos e estames, um inseto ou a brisa deve introduzir o pistilo ao estame. A vida contém sua própria ausência, que apenas um Outro pode preenchê-la. Parece que o mundo é o somatório dos Outros. E, ainda assim, não sabemos e nem nos é dito que preencheremos uns aos outros. Levamos nossas vidas dispersas, perfeitamente inconscientes dos outros…Ou, de vez em quando, é permitido encontrar a desagradável presença do Outro. Por que é que o mundo é construído de forma tão solta?

Diálogo entre uma boneca inflável e um velho sábio sentados num banco de praça, do filme “Air Doll” (2008)

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2 comentários sobre “Por que é que o mundo é construído de forma tão solta?

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