Minha vida sem mim, de Isabel Coixet.

B00013WWSY.01.LZZZZZZZ

Sinopse: O que você faria se recebesse a notícia de que tem apenas dois meses de vida?

Esse é o tema central do comovente “Minha Vida Sem Mim”, produzido por ninguém menos que Pedro Almodóvar.

Ann (Sarah Polley) é uma batalhadora jovem de 23 anos, que foi precoce em tudo na vida, especialmente na constituição de sua família. Foi mãe aos 17 anos, e novamente aos 19, e vive com o sossegado marido Don (Scott Speedman) e as encantadoras filhinhas em um trailer no quintal da casa de sua perturbada mãe (Debbie Harry). Trabalha à noite como faxineira em uma Universidade e, embora seja bastante reservada, tem como melhor amiga uma paranóica companheira de trabalho, Laurie (Amanda Plummer).

Repentinamente Ann começa a sentir enjôos e ter desmaios freqüentes. Desconfia estar novamente grávida, mas ao procurar um médico recebe a trágica notícia de que tem um tumor. O médico lhe explica que, por ser muito jovem não há possibilidade de cura, já que suas células são rápidas demais e o tumor já está se alastrando por todo o corpo. O médico lhe dá uma expectativa de dois meses de vida.

Ao contrário do que seria previsível diante da proximidade da morte, Ann decide não contar a ninguém seu destino, tentando ser objetiva para fazer tudo o que for possível no tempo que lhe resta. Elabora então uma lista de “coisas a fazer antes de morrer”, lista essa que inclui transar com outro homem para ver como é, dizer o que pensa sobre as pessoas, arranjar uma nova mulher para o marido e gravar mensagens de aniversário para as filhas.

Competentemente, Ann vai cumprindo suas “tarefas”, sem cair na autopiedade. Conhece um homem que se apaixona por ela (Mark Ruffalo, encantador), e inicia com ele uma tórrida e ao mesmo tempo doce relação de paixão e amizade. Enquanto isso, grava dezenas de fitas com mensagens para os aniversários das filhas.

Pelo breve resumo acima, poderíamos achar que se trata de mais um filme sentimentalóide sobre vida e morte, cheio de clichês e apelos para conduzir ao choro fácil. Mas não é o caso. Embora trate de um assunto triste, “Minha Vida Sem Mim” possui um roteiro delicado que se limita a contar a “história” de Ann, sem utilizar-se de excesso de sentimentalismo, comum a dramas dessa natureza.

Achei que Sarah Polley está ótima e contribuiu muito para o bom resultado final. Ela é uma atriz jovem e bonita, e mostrou neste trabalho que tem também muito talento. Conseguiu conduzir a personagem durante seus dias “pré-morte” com objetividade, sinceridade e leveza, o que torna o filme marcante para quem o assiste.

Aliás, momentos marcantes não faltam na fita e fui particularmente tocada pela relação que Ann mantém com seu novo amante, principalmente porque há uma sinceridade mútua muito bonita, uma cumplicidade que Ann não tem como o marido, embora o ame, e através desta relação é como se ela conseguisse completar algo de vazio que existia em sua vida, o que é recíproco da parte do rapaz.

Enfim, “Minha Vida Sem Mim” é feito com competência, deixando leve (ainda que triste) um tema muito trágico.

Minha vida sem mim
My life without me
Canadá/Espanha,
2003 – 106 min.
Drama
Direção: Isabel Coixet
Roteiro: Isabel Coixet, Nancy Kincaid (livro)
Elenco: Sarah Polley, Scott Speedman, Deborah Harry, Mark Ruffalo, Leonor Watling, Amanda Plummer, Maria de Medeiros, Jessica Amlee, Kenya Jo Kennedy, Alfred Molina

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s