Who am i?

Corro em volta de mim, sem me encontrar… Perdi-me dentro de mim Porque eu era labirinto! – Sá Carneiro, “Dispersão”

quemsou

A busca da própria identidade, do self, este “eu” coeso e preciso que me define não diante dos demais, mas de mim mesmo, será loucura ou realidade? Ou, como diria, Shakespeare tão enfadonhamente citado por mim mesmo, no Hamlet, II Ato, sabemos quem somos, não sabemos quem podemos ser. Ao menos de minha parte, posso garantir, nem mesmo eu sei quem sou, dai a pertinencia da questao: QUEM SOU EU? Se fosse realmente quem penso/imagino ser seria, ainda que minimamente, toleravel aos demais ja que em grande parte, talvez a nossa maior parte, somos o que somos pelo que se espera de nos? Alem do mais, somos o que somos por aquilo que esta definido dentro da historia de uma coletividade, o(s) grupo(s) que pertencemos, e já nascemos com “forças integradoras irresistíveis” do caos que aqui está, dentro de mim, dentro de vc, dentro de nós. WHO AM I?? E mais, o que SOU esta definido na dor daquelas que precisam/carecem de mim e isso é algo que tbem me obriga a pensar quem sou/posso ser dentro de uma realidade que é social e que extrapola em muito a minha individualidade. São questões emergentes e o modo como me relaciono com estas questoes é algo em si definidor de minha propria realidade. Ironicamente. “Meu eu” não está no espelho e não está APENAS neste que pensa agora, embriagado, a esta hora tardia. “Meu eu” não está reunido apenas na fala ou no silêncio do outro, no seu interesse ou indiferença. “Meu eu” não está apenas no que fui, na historia que pode ser contada de mim ou na história por contar. “Meu eu” me escapa mais do que eu mesmo poderia imaginar. E isso eu garanto a vc tão convicto(a) de se pensar aquilo que supostamente se é. Dizem que somos exatamente o processo de vir a ser. Só que não posso tocar o processo de vir a ser/devir. Não me faz sentido, pq é ele mesmo o próprio tempo e como diz Sto Agostinho, qndo falo sobre o tempo nem mesmo eu sei dizer o que é o tempo, ou seja, pelo processo/tempo e eu me perco ainda mais. Ora, WHO AM I? Serei estes dedos que digitam, que pensam, esta hora que passa, este dia que perdi, o dia por vir, o silencio desta hora, a saudade que me aflige, o amor que se anuncia, a loucura tamanha de viver sem saber de onde se vem? pra onde se vai? Diz o poeta Walt Whitman, eu sou grande, eu contenho multidões, e o que fazer delas? O que faço eu delas? POIS EU ESTOU VIVO e a vida que existe em mim exige de mim respostas e o tempo que me é disponivel é violentamente reduzido a nada, pq sim o tempo não me basta, não me basta, NÃO ME BASTARIA, fosse como fosse… QUEM SOU EU? é quase uma questão intolerável,…

Extraído do meu orkut.

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