A vida como drama.

Quando dizemos que a vida é um drama, cremos não nos expressar muito bem. O drama designa a ação que se desenrola num palco, cujas consequências fatais adivinhamos, mas as quais, até o último momento, permanecem desconhecida.s A certeza de que o pior se dará in fini não é a presciência da maneira exata como ele se produzirá. Apesar de previsível e inelutável, o pior é sempre surpreendente. É nesse sentido que minha vida é dramática. No cerne de circunstâncias que ninguém pode enfrentar em meu lugar, que requerem minha força e meu discernimento, nunca sei onde me situo. Sinto-me perdido: ao mesmo tempo desnorteado e na perdição. Por mais que procure e fixe referenciais para mim, eu os apago à medida que me debato. Vã gesticulação que se dá ares de ação, ainda mais patética por eu tomar consciência dela e não poder fazer nada. Se viver é sentir-se perdido, a lucidez é saber-se perdido.

Frédéric Schiffter, Sobre o blablablá e o mas-mas dos filósofos. José Olympio, pg. 98.

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