Sempre a ela mesma.

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O trágico é o impasse de uma existência que não se pode desprender de si, que se vê coagida, sem cessar e sem repouso, a cuidar de si, de uma existência atolada nela mesma, jogada como alimento a ela mesma. Esmagada por ela mesma, pelo peso dessa materialidade que é a irremedialidade de si, ela não poderia libertar-se do peso que amarra a si, como a um duplo viscoso, pesado, estúpido, como a uma carga que nada alivia. Essa impotência para esquecer-se, essa incapacidade para sair da prisão de si, do definitivo de sua materialidade, condenaria ao sofrimento de uma vida sem refúgio, sem saída, pois retornaria sempre a ela mesma.

Catherine Chalier, La persévérance du mal, op. cit., p. 19-20, in: Bertrand Vergely, O Sofrimento, p. 184 (EDUSC)

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