Ode ao vento d’Oeste

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Ó selvagem vento oeste, o sopro mesmo do outono

Alma selvagem que te moves por todo o espaço
Ó destruidor e vivificador, escuta, ó escuta!
Ó irresistível! – Se ao menos
Eu pudesse voltar a ser o que era em minha infância,

Companheiro de tua vagabundagem através do espaço,
Quando ultrapassar tua rapidez celeste
Quase nem parecia loucura, nunca eu me teria debatido,

Nunca eu te teria suplicado, como faço em minha aflição,
Ó! levanta-me como uma vaga, como uma folha, como uma nuvem.
Abato-me sob os espinhos da vida! Sangro!

O peso excessivo das horas paralisou, vergou
Um ser que a ti se assemelhava demais, indomável, rápido e altivo.
Faze de mim tua lira, faze-me cantar como a floresta!
E ainda que minhas folhas caiam como caem as tuas!
O tumulto de tuas poderosas harmonias
Fará sair de mim, como dela, uma música profunda, outonal.
Doce embora tão triste. Alma ardente,
Sê a minha alma!

Shelley, Ode ao vento d’Oeste

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