3 de janeiro de 1892

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Preocupa-me não saber quem serei; nem sequer quem quero ser; mas sei que é preciso escolher. Queria andar por caminhos seguros, que levam apenas ali aonde havia decidido ir; mas não sei; não sei o que devo querer. Sinto mil identidades possíveis em mim; mas não posso resignar-me a não querer ser mais que uma. E me assusto, a cada instante, a cada palavra que escrevo, a cada gesto que faço, de pensar que é um traço mas, que não se pode apagar, de minha figura, que se fixa; uma figura duvidosa, impessoal; uma figura covarde, já que não sabe escolher e delimitar-se ferozmente.

Senhor, concede-me não querer mais que uma coisa e desejá-la sem cessar.

André Gide, Diário, pg. 92 (Alba)

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