Antoine

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Com tocante simplicidade, Antoine explicou que ele não podia impedir-se de pensar, de tentar compreender, e que isso o tornava infeliz. Se pelo menos o estudo lhe desse a alegria do garimpeiro de ouro…Mas o ouro que ele encontrava tinha a cor e o peso do chumbo. O seu espírito não lhe dava tréguas, impedia-o de dormir com as incessantes interrogações, deixava-o desvelado em plena noite com as suas dúvidas e as suas indignações. Antoine contou aos amigos que, havia muito tempo, ele não tinha sonhos nem pesadelos, porque as suas idéias preenchiam todo o espaço do seu sono. De tanto pensar, a consciência sempre tumescente, Antoine vivia mal. Ele agora queria ser um pouco inconsciente, bem ignorante das causas, das verdades, da realidade…Ele estava cansado da acuidade de observação que lhe dava uma imagem cínica das relações humanas. Queria viver, não saber a realidade da vida; queria justamente viver.

Martin Page, Como me tornei estúpido, pg. 66 (Rocco)

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