O único no mundo

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– Faz muito frio pra você, aqui fora?
– Nao, leve-me por favor até o centro da praça….De noite, no sonho, vimos uma árvore como aquela lá, aquela perto do centro.
– Vimos?
– Sim. Você, e eu, e todos. Estava bem à vista.
– Que sonho era?
– O sonho da noite.
– Que queres dizer com isso?
– A gente tem um sonho, todas as noites. E as vezes mais de um, não é assim?
– Sim.
– E no sonho da noite havia uma árvore como essa, e um dos galhos estava carregado de frutas. Mas não mais do que um galho.
– Escute, senhor Ramirez, a gente tem sonhos enquanto dorme. Mas cada um sonha sozinho. É coisa particular, privada.
– Mas você não viu essa árvore de noite, a de galho diferente?
– Não, não a vi.
– Todas as pessoas a viram.
– Ninguém a viu. Você sozinho a viu. O único no mundo.
– Por que?
– Porque é assim. Quando se sonha se está completamente sozinho.

Maldición Eterna a Quien Lea Estas Páginas,
Manuel Puig, escritor argentino

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