Archive for the 'Dor/Sofrimento' Category

Ulisses.
Agosto 10, 2008

“Suporta-o, meu caro coração! Já suportaste coisas bem piores, como um cão!”, Ulisses

Citado por Friedrich Nietzsche, no livro Aurora, pg. 142.

Sursum corda!
Junho 3, 2008

Quanto maior você é, mais forte eles batem.
Postulado de Perkins

Ficai ao meu lado.
Maio 30, 2008

Ficai ao meu lado, apoiai-me, guiai-me, potestades benditas!
Herman Melville, Moby Dick (Biblioteca Folha, pg. 206)

Como a morte se infiltra.
Maio 14, 2008

Certo dia, não se levanta,
porque quer demorar na cama.
No outro dia ele diz por quê:
é porque lhe dói algum pé.
No outro dia o que dói é a perna,
E nem pode apoiar-se nela.
Dia a dia lhe cresce um não,
um enrodilhar-se de cão.
Dia a dia ele aprende o jeito
em que menos lhe pesa o leito.
Um dia faz [...]

Sísifo.
Abril 8, 2008

Não existem esforços inúteis, Sísifo ganhava músculos.
R. Callois (ensaísta francês, nascido em 1913), Circonstancielles
Mito de Sísifo
“Por toda a eternidade Sísifo foi condenado a rolar uma grande pedra de mármore com suas mãos até o cume de uma montanha, sendo que toda vez que ele estava quase alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo [...]

Esperança.
Março 18, 2008

É bom ter esperança, mas é ruim depender dela. - Textos Judaicos

A esperança é a maior e a mais difícil vitória que um homem pode ter sobre a alma. - Georges Bernanos

É horrível assistir à agonia de uma esperança. - Simone de Beauvoir

Aquilo a que chamamos o nosso desespero é frequentemente a dolorosa avidez de [...]

Aforismo 279
Março 13, 2008

Os homens de profunda tristeza se denunciam quando estão felizes: têm uma maneira de agarrar a felicidade, como se a quisessem esmagar e sufocar, por ciúme - eles sabem muito bem como ela escapa!

Friedrich Nietzsche. Além do bem e do mal, pg. 189 (Companhia das Letras)
 

Acrobata da Dor (*)
Março 11, 2008

Gargalha, ri, num riso de tormenta,
como um palhaço, que desengonçado,
nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
de uma ironia e de uma dor violenta.
Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
agita os guizos, e convulsionado
salta, gavroche, salta clown, varado
pelo estertor dessa agonia lenta …
Pedem-se bis e um bis não se despreza!
Vamos! retesa os músculos, retesa
nessas macabras piruetas d’aço…
E embora caias sobre [...]

A Alegria
Março 4, 2008

O sofrimento não tem
nenhum valor
Não acende um halo
em volta de tua cabeça, não
ilumina trecho algum
de tua carne escura
(nem mesmo o que iluminaria
a lembrança ou a ilusão
de uma alegria).
Sofres tu, sofre
um cachorro ferido, um inseto
que o inseticida envenena.
Será maior a tua dor
que a daquele gato que viste
a espinha quebrada a pau
arrastando-se a berrar pela sarjeta
sem ao [...]

A dor.
Fevereiro 14, 2008

Existem alguns grandes critérios imutáveis que revelam o valor do homem. Um deles é a dor; é a prova mais dura no seio desta sucessão de provas que se costuma chamar vida. É por isso que uma meditação sobre a dor é forçosamente impopular: contudo, ela é não só rica em ensinamentos, como também esclarece [...]

Ausências.
Dezembro 6, 2007

Porque tinha suas ausências. O rosto se perdia numa tristeza impessoal e sem rugas. Uma tristeza mais antiga que o seu espírito. Os olhos paravam vazios; diria mesmo um pouco ásperos. A pessoa que estivesse a seu lado sofria e nada podia fazer. Só esperar.
Clarice Lispector. Felicidade Clandestina, p. 118 (Rocco)

Coisa miserável.
Dezembro 3, 2007

Coisa miserável,
Suspiro de angústia
Enchendo o espaço,
Vontade de chorar,
Coisa miserável,
Miserável
Senhor, piedade de mim,
Olhos misericordiosos
Pousando nos meus,
braços divinos
cingindo meu peito,
coisa miserável
no pó sem consolo,
consolai-me
Mas de nada vale
Gemer ou chorar,
De nada vale
Erguer mãos e olhos
Para um céu tão longe,
Para um deus tão longe
Ou, quem sabe? Para um céu vazio.
É melhor sorrir
(sorrir gravemente)
e ficar calado
e ficar fechado
entre duas paredes
sem [...]

Dia a dia.
Novembro 25, 2007

Eu me sinto tornar dia a dia mais sensível e mais emocionável. Um nada me põe lágrimas no olho. Há coisas insignificantes que me pegam pelas entranhas. Eu caio em divagações e distrações sem fim. Eu me sinto sempre um pouco como se eu tivesse bebido demais.
 
Gustave Flaubert, Cartas Exemplares, p. 43 (Imago)

Pois bem, nada disso!
Novembro 22, 2007

Foi mais dificil e doloroso para mim admitir que tinha inimigos entre pessoas que mal ou nem sequer conhecia. Sempre tinha pensado, com a ingenuidade de que já lhe dei algumas provas, que os que não me conheciam não poderiam deixar de gostar de mim se tivessem chegado a conviver comigo. Pois bem, nada disso! [...]

Pausas.
Novembro 22, 2007

Bem vejo que, para poder continuar os estudos, é preciso de quando em quando interrompê-los, dar-se um pouco àquelas coisas ditas mundanas; mas para isso eu quero um mundo que me alegre e me sorria, um mundo que brilhe (mesmo que com falsa luz) e tenha força suficiente para me fazer esquecer por alguns instantes [...]