Eu não preciso me “entender”. Que vagamente eu me sinta, já me basta. – Clarice Lispector
Eu sou sentimental, sim. Cresci ouvindo Roberto Carlos. Dei e ganhei muito beijo em meus irmãos e meus pais. Sai da cidade e viajei por tudo o que era estado. Um dia não resisti. Ouvi Roberto Carlos num inferninho e parei para tomar umas caninhas. Logo a lágrima veio descendo, sem vergonha nem licença. Choro por qualquer coisinha, sim. Porque é coisa de pai e de mãe. Eles se emocionavam com coisa pouca que no final das contas, se o senhor colocar na balança, é das maiores importâncias. Tinha amigo lá na cidade onde eu morava que me chamava de chorão e se ria até não poder mais. Só porque eu via um novilho preso numa cerca de arame e me doia de ouvir os berros do animal até tirar ele de lá ou de ver cachorro correndo com três pernas só. É porque eu acho uma judiaria, sabe? Eu sou de um tempo em que o homem mostrava a zanga, mas também as sentimentalidades do coração. E eu sou mais feliz assim. No mundo de hoje não se pode ser sentimental. Todo mundo quer ser esperto, isso sim. Ser feito de manteiga ou de açucar? Não, que não cai bem. O senhor já viu gente feita de manteiga e açucar? Não viu né? Eu sou sentimental porque sou de carne e osso. Como eu dizia, todo mundo quer ser letrado e ser esperto, levar vantagem em tudo, mas nunca vi um homem sentimental roubar um homem cheio de espertezas. Por isso o pai e a mãe fazem a falta do cão. E os irmãos, então! Mas se o senhor quiser eu canto uma do Rei pro senhor, que não me custa não. Só não repare se eu chorar da emotividade. É porque eu acho uma boniteza, sabe? E alivia o que vem com a gente. O senhor é sentimental, seu moço? Tenha vergonha não. É até uma coisa bonita, se reparar direito.
Por Alexandre Magno da Silva

as lágrimas são com certeza toda essa boniteza que você enxerga…
obrigado pelas palavras, débora…=)
Enquanto isso… meus olhos lagrimejam, de alegria.
Que lindeza!