Há ignorâncias de vários graus de conhecimento completamente ilusórios. É mesmo o aborrecimento perpétuo da sociedade, esse torneio de verbosidades impetuosas e inestancáveis, que têm o ar de saber as coisas porque delas falam, o ar de crer, de pensar, de amar, de procurar, enquanto tudo isso é apenas ruído vão, aparências, vaidades, palavrório. O pior é que, estando o amor-próprio atrás desse palavrório, essas ignorâncias frequentemente são ferozes de afirmação, tornam-se essas parolagens por opiniões, apresentam-se os preconceitos por princípios. Os papagaios consideram-se seres pensantes, as imitações dão-se como originais, os fantasmas de idéias entendem ser tratados como substâncias, e a polidez exige que entremos nessa convenção. É fastidioso.
Diário Íntimo, Amiel, 9 de junho de 1877 (Ediouro, pg. 324)







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