Do julgamento.

30 04 2009

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O que todos praticam com a melhor boa vontade, e o que todos fazem da pior maneira, é o julgamento, é a crítica. O que há de mais fácil e de mais usual é julgar; o que há de mais difícil e de mais raro é julgar bem. – Por quê? Porque, para julgar, basta estouvamento e necessidade, e porque para julgar bem, impõem-se muita reflexão e sabedoria.

Amiel, Diário Íntimo (Ediouro, pg. 241)





Da amizade.

27 04 2009

O que ainda me causa impressão suave são as provas de apego e gratidão, testemunhos de estima ou de simpatia. Creio mesmo que só a isso me prendo. Ora, essa cordialidade não me foi recusada. Se eu vi arrefecerem-se muitas de minhas amizades, aprendi a conhecer algumas novas almas, e pude sondar alguns nobres corações.

Amiel, Diário Íntimo (Ediouro, pg. 214)





Da soliedariedade.

27 04 2009

Segundo uma criança:

É quando a gente está dormindo e sonha que todo ser vivo do universo é uma parte da gente, e a gente sabe que só vai acordar de verdade quando todas essas partes tiverem despertado. Aí a gente fica logo querendo acordar todo mundo.





Meu individualismo.

23 04 2009

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Recordo ter ouvido Oscar Wilde dizer-me:

“Não é por excesso de individualismo que pequei. Meu grande erro, a falta que não posso perdoar-me, é ter, um dia, deixado de obstinar-me em meu individualismo, deixado de crer nele para escutar os outros, deixado de crer que tinha razão em viver assim, duvidando de mim mesmo”.

Diário de André Gide, Trayectos, pg. 287.





Quais são os preferíveis?

23 04 2009

Entre os que nos odeiam por nos conhecer, e os que nos odeiam porque não nos conhecem, Roger Martin du Gard e eu, nos perguntavamos, quais são os preferíveis.

Procurar, por si próprio, não amar nem odiar sem conhecimento de causa.

Alguns jóvens se declaram nossos inimigos sem preocupar-se o mínimo que seja por saber se não amamos talvez o que eles amam, e se não buscamos, de certo modo, o mesmo com eles.

Diários de André Gide, Trayectos, pg. 334.





Sentimentos convencionais.

23 04 2009

Os sentimentos autênticos são sumamente raros e em sua imensa maioria, os seres humanos se conformam com sentimentos convencionais, que se imaginam que se sentem realmente, mas que os adotam sem que por um único momento se lhes ocorra por em dúvida sua autenticidade.

Diário de André Gide, Trayectos, pg. 306.





Acordei triste.

23 04 2009

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Acordei triste, estar triste não é ruim.
A tristeza é um sentimento suave e agradável.
logo bons pensamentos nos vêm à cabeça.
Sentimos pena de todo mundo,
da florzinha, porque suas folhas ficaram moles, e parece doente,
da avó, porque ela está velha e não demora a morrer.
Queremos ajudar a todos e também queremos nos tornar melhores.
Contos de fadas tristes também nos agradam,
o que indica que temos necessidade de tristeza,
como se ela fosse um anjo que pára, olha,
põe a mão na nossa cabeça,
e parece estar respirando pelas asas!
Ficamos com medo de que alguém venha estragar a nossa tristeza.
Estragar não, espantar…

Apresentação de Tatiana Belinsky ao livro de Janusz Korzak, Quando eu voltar a ser criança, São Paulo, Summus, 2001.





Todo o ruim, todo o bom.

22 04 2009

Se por viver todo o bom,
tive que viver todo o ruim.
Não renuncio a nada do ruim
para não perder nada do bom.

Poeta anônimo, sem título.





Faço parte de tudo que conheci.

22 04 2009

“Faço parte de tudo que conheci.” Vocês todos, saibam ou não, tendo entrado na trama da minha vida e saído de novo, deixaram uma parte transitória de vocês que eu transformarei em algo. Ainda não há nada, mas haverá uma mudança radical, capaz de gerar uma coisa rica e inesperada. Através de mim, a transmutação.

Ah, eu mordo, mordo a vida como uma maça suculenta. Brinco com ela feito um peixe e sou feliz. E o que é ser feliz? É seguir sempre em frente. Há algo melhor a ser feito do que aquilo que já fiz, e impulsinado pela ilusão do progresso, buscarei progredir, fincarei as esporas em meu flanco, mais e mais – até aprender. Sempre.

Tenho uma fonte de vida profunda, clara, agridoce. Todos os nomes, já, e os lugares. E nem sequer me aproximei ainda do final.

Dos diários de Sylvia Plath, pg. 168 (Globo).





Ora, pois.

16 04 2009

Porque me apressaria em resolver todos os enigmas que me oferece a vida?

Ralph Waldo Emerson, A conduta para a vida, (Martin Claret, pg. 145).





Observação.

16 04 2009

Já não quero conhecer nada que não seja natural.

Dos diários de André Gide
, (Trayectos, pg. 206)





Tem o direito de estar aqui.

16 04 2009

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Quando você se compara aos outros, torna-se arrogante ou amarga, pois sempre haverá pessoas melhores e piores que você. Mantenha uma disciplina rígida, mas seja gentil com você mesma. É filha do universo, assim como as àrvores e as estrelas; tem o direito de estar aqui.

Excerto de uma carta da mãe de Sylvia a ela, Dos diários de Sylvia Plath, (Globo, pg. 250)





Sonhando.

15 04 2009

- Micha, a cabeça lhe dói?
Micha não respondeu de imediato.
- Sim. Estou sempre sonhando.
- Que é que você está sonhando?
- Tudo…

Lendo Tchekov, (Ediouro, pg. 371), do conto “O médico”.





Quarta-feira.

15 04 2009

Os autores têm razão: a vida é tão cheia de imprevistos!

Lendo Tchekov, (Ediouro, pg. 199), do conto “A morte do funcionário”.





Hoje.

15 04 2009

Um vídeo-poema produzido por Pablo Carvalho que expressa seu desejo por mudanças na postura sóciopolitico brasileira.