Para ser como criança.

28 02 2009

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1. Espontaneidade de ação:  crianças, como se diz, não têm uma vida interna complexa, então suas respostas a acontecimentos são imediatas, quase instintivas, e sem a ansiedade que frequentemente acompanha análises retrospectivas, comuns aos adultos, de gestos ou ações já realizados.

2. Orientação para o aqui-e-agora: em decorrência do primeiro componente, as crianças não têm uma bagagem de passado e, sobretudo, têm menos capacidade para imaginar concretamente seu futuro (embora sem dúvida possuam uma imaginação rica), de modo que sua perspectiva tende, na maior parte, a ser orientada para o presente, e não ao passado ou ao futuro.

3. Facilidade de expressão verbal e corporal: sem consciência da observação dos outros, as crianças navegam livremente nos espaços físico, auditivo, olfativo e verbal que habitam.

Do livro Existo, logo penso, de Alexander George (Objetiva, 155-56)





Wake up.

28 02 2009

Mesmo se você espera o inesperado, ainda assim você pode se surpreender.

Peter Lipton, professor de filosofia da Universidade de Cambridge.





Já é muito.

25 02 2009

Encontrar um sentido no mundo de uma outra pessoa – mesmo que apenas de modo temporário – já é muito.

Niklas Luhmann, sociólogo alemão.





Trato palavras como gestos que me salvam…

25 02 2009

Não trato palavras
nas medidas metálicas.
Aço exato

Tampouco trato palavras
nas medidas circunstanciais do calor,
dilatadas,
recolhidas.
Inconstantes.

Trato palavras
como gestos necessários,
aqueles que me salvam,
me resgatam do cotidiano,
do tempo medido nos ponteiros.
Ingrato

Trato palavras
como fragmentos de poemas
à procura de um restaurador.

Do poema “Das medidas e do tamanho”, de Margarete Schiavinatto





Um conhecimento objetivo do mundo.

21 02 2009

O modo como nosso cérebro arquiva impressões, separando nessa hora o importante do sem importância, e porque o faz, é um mistério. Por outro lado, parece estar claro que, para conseguir me lembrar conscientemente de algo, e tirá-lo de modo autônomo de uma gaveta da memória, tenho que compreender essa vivência verbalmente. Isso não precisa se dar em palavras, como num poema aprendido de cor, entretando precisa, como sempre, ser refletido. E, segundo sabemos, uma reflexão sem linguagem não é possível para o cérebro humano. E já que tudo o que sabemos ou acreditamos saber está ligado à linguagem, o que há por trás desse tão especial meio de conhecimento? Será que a linguagem assegura um acesso privilegiado à realidade? Será que ela nos transmite um conhecimento objetivo do mundo?

Richard Precht, Quem sou eu? E, se sou, quantos sou? (Ediouro, pg. 92)





A maturidade.

18 02 2009

E não será a maturidade, a coragem de viver sucessivas aprendizagens que não nos podem destruir?

Nélida Piñon, em entrevista a Edla Van Steen.





É isso.

16 02 2009

O que me surpreende da primeira vez, não me surpreenderá na décima vez.

Richard Precht, Quem sou eu? (Ediouro, pg. 72)





Você gosta de Chet Baker?

16 02 2009

- Sabe…talvez seja como o seu concerto acaba. Digo…não é um grande final com trompetes e violinos. Talvez esse seja o final. Assim, de repente. Nem triste, nem feliz. Apenas…um quarto pequeno…uma lamparina…uma cama…uma criança dormindo. E…toneladas de solidão.

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Do filme, “A Banda” (2007)





Ask.

10 02 2009

Não se deixe intimidar com perguntas; simplesmente tenha calma.

Ludwig Wittgenstein, Cadernos, 1914-1916.





Porque ela me ajuda a viver.

9 02 2009

Hoje, se me pergunto por que amo a literatura, a resposta que me vem espontaneamente à cabeça é: porque ela me ajuda a viver. Não é mais o caso de pedir a ela, como ocorria na adolescência, que me preservasse das feridas que eu poderia sofrer nos encontros com pessoas reais; em lugar de excluir as experiências vividas, ela me faz descobrir mundos que se colocam em continuidade com essas experiências e me permite melhor compreendê-las.

Tzvetan Todorov, A literatura em perigo (Difel, pg. 23).

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Fogo.

6 02 2009
Na composição da estrutura humana há uma grande dose de material inflamável, embora possa ficar dormente por algum tempo, e quando o archote é colocado nele, o que estiver dentro de você explode em fogo.

George Washington, 1795.





Como fogos de artifício pela noite.

5 02 2009
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Eles dançavam pelas ruas como peões e eu me arrastava atrás como sempre tenho feito toda minha vida atrás de pessoas que me interessam, porque as únicas pessoas que me interessam são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, que querem tudo ao mesmo tempo, aqueles que nunca bocejam ou falam chavões…mas queimam, queimam, queimam como fogos de artifício pela noite.

Jack Kerouac, , On the road, o manuscrito original, pg. 106 (L&PM)