Peripatético.

30 12 2008

Caminho todos os dias para alcançar o bem estar diário e assim escapo de todas as doenças. Meus melhores pensamentos vieram durante caminhadas, e eu não conheço nenhum pensamento que seja tão pesado e do qual não possamos nos livrar caminhando. Permaneçamos caminhando, tudo segue.

Soren Kierkegaard





A razão das minhas viagens.

19 12 2008

Geralmente, a quem me pergunta a razão das minhas viagens, respondo que sei muito bem do que estou fugindo, mas não o que estou procurando. – Michel de Montaigne

Thanks Inai!





Arriscar-se(r).

19 12 2008

Estender a mão é arriscar-se a comprometer-se,
Mostrar os seus sentimentos é arriscar-se a se expor,
Dar a conhecer as suas idéias, os seus sonhos,
é arriscar-se a ser rejeitado,
Amar é arriscar-se a não ser retribuído no amor,
Viver é arriscar-se a morrer,
Esperar é arriscar-se a desesperar,
Tentar é arriscar-se a falhar,
Mas devemos nos arriscar !
O maior perigo na vida está em não arriscar.
Aquele que não arrisca nada
- Não faz nada !
- Não tem nada !
- Não é nada !

Rudyard Kipling

Thanks Inai!





Meus sonhos.

19 12 2008

Não me indigno, porque a indignação é para os fortes; não me resigno, porque a resignação é para os nobres; não me calo, porque o silêncio é para os grandes. E eu não sou forte, nem nobre, nem grande. Queixo-me porque sou fraco e entretenho-me a arranjar meus sonhos conforme me parece melhor a minha idéia de os achar belos. Só lamento o não ser criança, para que pudesse crer nos meus sonhos.

Fernando Pessoa

Thanks Inai!





O espanto.

17 12 2008

O ponto mais alto a que o homem pode chegar é o espanto.

Goethe.





Onde estamos?

16 12 2008

waiting_here_____by_gagagakun

Tão seguros da realidade a nossa volta: nossa familia, nosso lar, nossa cidade e nosso pais, mas, há quem pense, apesar da aparente naturalidade de todas as coisas, onde exatamente nos encontramos? Um pequenino planeta girando entre as demais esferas num sistema solar, numa via láctea, num espaço aparentemente sem margens, e o que há além disso tudo, e além? Estamos de tal forma ocupados com a realidade segura e infinitesimal que construimos para nós todos que mal vivemos o sentimento de absurdo de haver algo muito além, mas muito além, do território que ocupamos no espaço-tempo. E este haver algo muito além é a força que coloca em questão o mundo de agora que toma meu tempo. Este haver algo é o que torna surreal a minha indiferença, apesar de volta e meia olhar para o céu com incredulidade. E esta realidade que extrapola em muito o cárcere em que vivo preso, como ela mesma pode ter sido criada tão distante e tão indiferente de mim mesmo? A minha capacidade de imaginar está presa a realidade que me cerca. Ora, careço deste muito além, deste haver algo, para a compreensão do que sou, do que posso ser, para continuar a minha própria evolução. Porque a minha evolução acontece na minha capacidade de imaginar. É isso que me separa das demais espécies animais. Como pode haver um único cometa que não cruzou o meu caminho? E uma estrela em que não pus meus pés? E uma outra lua e um outro sol? Porque aqui, exatamente, e não além, e ainda mais? Um dos principais argumentos de que o universo não existe para nós é sua fria distância de nós mesmos. E como por tantas vezes olhamos para o céu e ao perguntar não obtivemos respostas parece que mais do que toda certeza que pode haver, este é o melhor do mundos. Pode haver uma realidade que eu não compreenda? De todas, talvez a mais absurda seja pertencer exatamente a esta, tão distante de todas as demais, sem saber exatamente porquê. Conclusão desconcertante.

Extraído do meu orkut.





Who am i?

11 12 2008

Corro em volta de mim, sem me encontrar… Perdi-me dentro de mim Porque eu era labirinto! – Sá Carneiro, “Dispersão”

quemsou

A busca da própria identidade, do self, este “eu” coeso e preciso que me define não diante dos demais, mas de mim mesmo, será loucura ou realidade? Ou, como diria, Shakespeare tão enfadonhamente citado por mim mesmo, no Hamlet, II Ato, sabemos quem somos, não sabemos quem podemos ser. Ao menos de minha parte, posso garantir, nem mesmo eu sei quem sou, dai a pertinencia da questao: QUEM SOU EU? Se fosse realmente quem penso/imagino ser seria, ainda que minimamente, toleravel aos demais ja que em grande parte, talvez a nossa maior parte, somos o que somos pelo que se espera de nos? Alem do mais, somos o que somos por aquilo que esta definido dentro da historia de uma coletividade, o(s) grupo(s) que pertencemos, e já nascemos com “forças integradoras irresistíveis” do caos que aqui está, dentro de mim, dentro de vc, dentro de nós. WHO AM I?? E mais, o que SOU esta definido na dor daquelas que precisam/carecem de mim e isso é algo que tbem me obriga a pensar quem sou/posso ser dentro de uma realidade que é social e que extrapola em muito a minha individualidade. São questões emergentes e o modo como me relaciono com estas questoes é algo em si definidor de minha propria realidade. Ironicamente. “Meu eu” não está no espelho e não está APENAS neste que pensa agora, embriagado, a esta hora tardia. “Meu eu” não está reunido apenas na fala ou no silêncio do outro, no seu interesse ou indiferença. “Meu eu” não está apenas no que fui, na historia que pode ser contada de mim ou na história por contar. “Meu eu” me escapa mais do que eu mesmo poderia imaginar. E isso eu garanto a vc tão convicto(a) de se pensar aquilo que supostamente se é. Dizem que somos exatamente o processo de vir a ser. Só que não posso tocar o processo de vir a ser/devir. Não me faz sentido, pq é ele mesmo o próprio tempo e como diz Sto Agostinho, qndo falo sobre o tempo nem mesmo eu sei dizer o que é o tempo, ou seja, pelo processo/tempo e eu me perco ainda mais. Ora, WHO AM I? Serei estes dedos que digitam, que pensam, esta hora que passa, este dia que perdi, o dia por vir, o silencio desta hora, a saudade que me aflige, o amor que se anuncia, a loucura tamanha de viver sem saber de onde se vem? pra onde se vai? Diz o poeta Walt Whitman, eu sou grande, eu contenho multidões, e o que fazer delas? O que faço eu delas? POIS EU ESTOU VIVO e a vida que existe em mim exige de mim respostas e o tempo que me é disponivel é violentamente reduzido a nada, pq sim o tempo não me basta, não me basta, NÃO ME BASTARIA, fosse como fosse… QUEM SOU EU? é quase uma questão intolerável,…

Extraído do meu orkut.





Para onde é preciso.

10 12 2008

Não se trata da arte de dar [à alma] o poder de ver, porque ela já o possui, mas de buscar orientar o que não está voltado para a direção que deveria, nem olha para onde é preciso.

Platão, A República, VII, 518d.





Noite 506.

5 12 2008

Vocês já notaram que sempre que alguém que amamos morre, cai uma folha de árvore, passa uma nuvem, um passarinho começa a cantar triste, o cadarço do sapato desamarra, anoitece de repente, começa a chover ou a parar de chover? São sinais que precisamos decifrar.

Fausto Wolff, A milésima segunda noite (Bertrand Brasil, pg. 344)





Da indiferença.

4 12 2008

A terceira dimensão do amor de Freud é o reconhecimento do oposto tanto do amor quanto do ódio: a indiferença. Se você é indiferente a alguém ou alguma coisa, não faz nenhum investimento emocional nele ou nela. Sem emoções investidas, não se pode amar nem odiar. Isso lhe permite exercer a razão imparcial, o que é útil na maioria dos casos. Também constitui a base do estoicismo, cuja idéia condutora é não supervalorizar nada que possa lhe ser tirado pelos outros, pois ao fazê-lo você se coloca sob o poder deles. Se fica apegado demais a pessoas ou coisas, está criando problemas para si mesmo. A indiferença às circunstâncias pode ser boa, ainda mais quando as circunstâncias são más. É o que todos chamam de entender as coisas filosoficamente ou estoicamente. Esse tipo de indiferença não é insensibilidade nem falta de compaixão. É a capacidade de não entender as coisas de forma excessivamente pessoal, mesmo quando parecem envolver sua pessoa. É mais como ficar frio durante o tiroteio. Permite-lhe agir da melhor maneira possível sob estresse.

Assim, do lado benéfico, a indiferença impede que você sofra de apego negativo a alguma coisa. No entanto, a indiferença também faz com que você não possa sentir o prazer do apego positivo a alguma coisa. Se passar a vida tentando ser indiferente às pessoas e coisas para poupar-se de mal-estar, estará se privando de envolvimento e satisfação. Também pode ser como uma pedra na floresta: cercada por todo tipo de ser vivo e exposta a todo tipo de mudanças naturais e estações, mas incapaz de relacionar-se organicamente com qualquer deles.

Lou Marinoff, Pergunte a Platão (Record), pg. 188.





Hans.

2 12 2008

- Procure me entender, Hans – disse em tom de lamúria.
- Eu te entendo bem, desgraça! E muito bem.
- Mas que tipo de gente é você, Hans?
- Sou um palhaço, e coleciono instantes.

Heinrich Böll, “Pontos de vista de um palhaço“, Estação Liberdade.





A Vida, segundo Eduardo Galeano.

2 12 2008

cupid_and_psyche_by_marshmallow_pies

A vida, sem nome, sem memória, estava sozinha. Tinha mãos, mas não tinha em quem tocar. Tinha boca, mas não tinha com quem falar. A vida era uma, e sendo uma era nenhuma.

Então o desejo disparou sua flecha. E a flecha do desejo partiu a vida pela metade, e a vida tornou-se duas.

As duas metades se encontraram e riram. Ao se ver, riam; e ao se tocar, também.

Eduardo Galeano, “De desejo somos”, do livro “Espelhos” (L&PM, pg. 1)





Nesse lugar.

2 12 2008

há um lugar no coração que
nunca será preenchido

um espaço

e mesmo nos
melhores momentos
e
nos melhores
tempos

nós saberemos

nós saberemos
mais que
nunca

há um lugar no coração que
nunca será preenchido

e

nós iremos esperar
e
esperar

nesse
lugar.

Charles Bukowski, poema “Sem chance de ajuda”, do livro “Essa loucura roubada que não desejo a ninguem a não ser a mim mesmo amém” (7 Letras, pg. 25)





O Bluebird.

1 12 2008

em meu coração tem um pássaro
que quer sair
mas eu sou mais forte que ele,
eu falo, fica aí dentro, eu não vou
deixar ninguém
te ver.

em meu coração tem um pássaro
que quer sair
mas eu taco uísque nele e respiro
fumaça de cigarro
e as putas e os barmen
e as caixas do mercado
nunca sabem que
ele está
aqui dentro.

em meu coração tem um pássaro
que quer sair
mas eu sou mais forte que ele,
eu falo,
fica na tua, você quer me pôr
em apuros?

em meu coração tem um pássaro
que quer sair
mas eu sou mais esperto, só deixo ele sair
de noite às vezes
quando todos estão dormindo.
eu falo, sei que você está aí,
então não fique
triste.

daí o ponho de volta,
mas ele ainda canta um pouco
aqui dentro, eu não o deixei morrer
totalmente
e a gente dorme junto desse
jeito
com nosso pacto secreto
e é bem capaz de
fazer um homem
chorar, mas eu não
choro, você
chora?

Charles Bukowski, poema “O Bluebird”, do livro “Essa loucura roubada que não desejo a ninguem a não ser a mim mesmo amém” (7 Letras, pg. 155)





Buk.

1 12 2008

não se preocupe com rejeições, parceiro.
fumei 25 cigarros esta noite
e você sabe sobre a cerveja.
o telefone tocou apenas uma vez:
era engano.

Charles Bukowski, do poema “para Al…”, no livro “O amor é um cão dos diabos” (L&PM), pg. 89.