Kairos.

30 11 2008

O que deve ser feito com o agora enquanto a vida está de fato sendo experimentada – enquanto o presente ainda está se desdobrando?

Kairos é o momento transitório no qual algo acontece à medida que o tempo decorre. É o nascimento de um novo estado de coisas, e isso ocorre num momento de consciência perceptiva.

Uma das origens da palavra provém de pastores observando as estrelas. À medida que a noite avança e as estrelas percorrem o céu, elas parecem nascer e depois se esconder no horizonte. O momento em que uma estrela atinge o apogeu e parece mudar de direção de ascendente para descendente é o seu kairos.

Daniel N. Stern, O Momento Presente (Record), pg. 29.





Uma vida por vez.

28 11 2008

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Deve-se contar cada dia como uma vida separada.

Sêneca





Arriscar-se(r).

28 11 2008

Quem arrisca e erra pode ser perdoado. Quem nunca arrisca e nunca erra é um fracasso em todo o seu ser.

Paul Tillich





Exatamente aqui.

27 11 2008

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O que está atrás de nós e o que está à nossa frente são coisa pouca, comparado ao que está dentro de nós.

Ralph Waldo Emerson





Tempo, tempo, tempo.

27 11 2008

Quem só pensa no futuro desaprende a interagir com as coisas que estão bem diante dos seus olhos.

- Theo Roos, Vitaminas Filosóficas (Casa da Palavra), pg. 102.





Aforismo 129.

26 11 2008

Não há no mundo amor e bondade bastantes, para que ainda possamos dá-los a seres imaginários.

- F. Nietzsche, Humano, demasiado humano, pg. 99 (Cia das Letras)





Para tempos de guerra e dor.

26 11 2008

Sempre estive à altura do inesperado.

- F. Nietzsche, Ecce Homo, pg. 28 (Cia das Letras).





O que é então o próximo?

25 11 2008

Que compreendemos de nosso próximo, senão suas fronteiras, quero dizer, aquilo com que ele se inscreve e se imprime em nós e sobre nós? Nada compreendemos dele, senão as mudanças em nós que são por ele causadas – nosso conhecimento dele semelha um espaço oco a que se deu uma forma. Nós lhe atribuímos as sensações que os seus atos despertam em nós, dando-lhe, assim, uma falsa positividade inversa. Nós o construímos segundo o que sabemos de nós, dele fazendo um satélite de nosso próprio sistema: e, quando ele nos ilumina ou se escurece, e somos a causa última de ambas as coisas – nós acreditamos o contrário! Mundo de fantasmas, este em que vivemos! Mundo invertido, vazio e, no entanto, sonhado cheio e reto!

- F. Nietzsche, Aurora (Cia das Letras), pg. 90-1.





Salve, navio! Salve o teu leme!

25 11 2008

Para lá eu quero ir! E confio
Em mim e na minha garra.
Aberto é o oceano, é o mar,
Para o azul me leva o navio.
Tudo se torna novo, renovado,
Longe brilham tempo e espaço -
Salve, navio! Salve o teu leme!
Em torno de ti o eterno se agita!

- F. Nietzsche, Fragmentos do Espólio (UnB), pg. 69.





Como a irrupção de um rio.

25 11 2008

Ele extravasa, ele transborda, ele se consome, ele não se poupa – com fatalidade, fatidicamente, involuntariamente como a irrupção de um rio por sobre as suas margens é involuntária.

- F. Nietzsche, Crepúsculo dos Ídolos (Relume Dumará), pg. 102.





Desejo(*).

24 11 2008

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Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga “Isso é meu”,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.

Victor Hugo

(*) thanks inai! ;-)





Sane.

22 11 2008

Quem controla os meios de produção da sanidade?

George Orwell, em 1984





Razão ou algo assim (II).

22 11 2008

O reconhecimento da fragilidade de cada um não deve matar o espírito de resistência; e atualmente precisamos de pensamentos que exaltem a energia, a satisfação, o júbilo. Necessitamos de alacridade, de alegria, de serenidade. À retórica vitimista, que se esgota em seu próprio enunciado, devemos opor a palavra política, que oriente as lamentações para uma saída sensata, que lhes ofereça um exultório viável, que permita expressar o mal em termos medidos a fim de superá-los. A ruminação estupefata dos nossos problemas, essa espécie de onanismo mental, impede-nos de distinguir entre o transformável, que só depende de nossa vontade, e o imutável, que não depende de nós. Qualquer azar é vivido como um veredicto inelutável do destino. O indivíduo só é grande se participa de algo que o ultrapassa e não fica emparedado em si.

Pascal Bruckner, A Tentação da Inocência (Rocco), pg. 140.





Fé ou algo assim (II).

22 11 2008

“Deus se ocupa de mim, e só sou especialmente posto à prova porque sou especialmente amado”.

Sentença pintada numa parede dos hospícios de Beaune.





O que é ser adulto?

21 11 2008

É consentir em certos sacrifícios, renunciar às pretensões exorbitantes, aprender que é melhor “vencer nossos desejos do que a ordem do mundo” (Descartes). É descobrir que o obstáculo não é a negação, e sim a própria condição da liberdade. É reconhecer que nunca nos pertencemos inteiramente, que de certa maneira nos devemos ao próximo, que abala nossa pretensão à hegemonia. Por fim, é compreender que é preciso nos formar transformando-nos, que nos fabricamos sempre contra nós. Em resumo, tornar-se adulto é fazer o aprendizado dos limites, é renunciar às nossas loucas esperanças e trabalhar para ser autônomo, capaz tanto de se inventar quanto abstrair-se de si.

Pascal Bruckner, A tentação da inocência, pg. 104.