Coisa miserável.

3 12 2007

Coisa miserável,
Suspiro de angústia
Enchendo o espaço,
Vontade de chorar,
Coisa miserável,
Miserável

Senhor, piedade de mim,
Olhos misericordiosos
Pousando nos meus,
braços divinos
cingindo meu peito,
coisa miserável
no pó sem consolo,
consolai-me

Mas de nada vale
Gemer ou chorar,
De nada vale
Erguer mãos e olhos
Para um céu tão longe,
Para um deus tão longe
Ou, quem sabe? Para um céu vazio.

É melhor sorrir
(sorrir gravemente)
e ficar calado
e ficar fechado
entre duas paredes
sem a mais leve cólera
ou humilhação.

Poesia Completa de Carlos Drummond de Andrade, p. 55 (Nova Aguilar)


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Uma resposta

17 05 2008
jkviana

Quando se olha tanto para o céu muitas vezes não se encherga a pedra na qual tropeçou !!!

Poesia que diz muito ….

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