Se eu acredito no amor, eu nunca acreditei muito na chamada alma gêmea, porque a minha alma gêmea tinha de ser muito diferente de mim, sabes? Porque de poesia e filosofia e literatura e outras merdas já eu estou cheio dos pés à cabeça. Nesse aspecto eu era um pouco à grega, alguém jovem, talvez, alguém mais inocente, alguém que tivesse a pureza do mar, a pureza e a tempestade, às vezes também.
Mário Cesariny
Dos pés à cabeça.
9 02 2010Comentários : Deixar um comentário »
Categorias : Amor, Cansaço, Solidão, Tédio
#006 ~ Gorila Manor
6 02 2010“A vida sem música não teria sentido” , F. Nietzsche.
Canções pra mim:
“Airplanes”
“World News”
“Shape Shifter”
“Cards and Quarters”
“Who knows who cares”
“Cubism Dream”
“Stranger Things”
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Categorias : Álbuns
Porque.
6 02 2010Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner Andresen
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Categorias : Identidade, Poesia
Complicação.
27 01 2010Não sei porque o mundo se tornou essa complicação. Não sei se o mundo devia ter ficado assim. Tudo é complicado, difícil, confuso. No passado, havia campos com vacas, galinhas. Tudo era mais simples, creio eu. Havia uma relação direta com as coisas.
Do filme “Albergue Espanhol”.
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Categorias : Cinema
O meu segredo.
26 01 2010Revelar meu segredo? Não, por certo;
Talvez quem sabe, um dia em breve.
Mas hoje não; tombou geada e neve.
Se a curiosidade te hei desperto
E sem pudor o queres ouvir, pois bem:
O segredo é meu, não conto a ninguém.
Talvez nem haja nada que contar:
Imagina afinal que não há segredo,
Era só a brincar.
Hoje está frio, é um dia azedo
Em que faz falta uma roupa abafada,
Um xaile e mantas que nos aqueçam;
Não posso abrir a todos quantos peçam,
Deixar o vento entrar-me de rajada,
Rodear-me, cercar-me,
Aturdir-me, assustar-me,
Enregelar-me sob este disfarce
Que me aconchega;
Pois quem quer desnudar-se
Ao vento frio que o há-de fustigar?
Não me fustigarias? Obrigada,
Mas deixa essa verdade inda velada.
É bela a Primavera; todavia
Não confio em Março com seus tremores,
Nem em Abril co’a breve chuva fria,
Muito menos em Maio cujas flores
Murcham co’a geada da noite sombria.
Talvez num dia lânguido de Estio,
Quando o sol faz as árvores dormitar
E se cobre de ouro a loura espiga,
Com fresca brisa mas sem nenhum frio
E o vento muito manso a soprar;
Talvez o meu segredo eu te diga,
Ou tu possas adivinhar.
Christina Georgina Rossetti,
tradução de Margarida Vale de Gato
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Categorias : Poesia
A saúde mental.
25 01 2010A saúde mental é antes de tudo o bem-estar que uma pessoa pode sentir em sua vida em geral, nas suas relações com os outros e em seu ambiente; é a capacidade que ela tem de se adaptar às condições mutantes de seu ambiente sem perder sua identidade; a saúde mental implica a capacidade de enfrentar as dificuldades e as provações da vida e a possibilidade de sair dessas experiências mais forte do que antes.
Estelle Morin e Caroline Aubé, Psicologia e Gestão (Atlas), pg 15.
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Categorias : Psicologia, Vida
Nalgum lugar em que eu nunca estive.
25 01 2010nalgum lugar em que eu nunca estive, alegremente além
de qualquer experiência, teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto
teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente,misteriosamente) a sua primeira rosa
ou se quiseres me ver fechado, eu e
minha vida nos fecharemos belamente, de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;
nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade: cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira
(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas
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Categorias : Amor, Paixão, Poesia
Uma verdadeira viagem.
23 01 2010“Uma verdadeira viagem não tem a ver com os destaques com os quais você impressiona os amigos quando volta para casa. Tem a ver com solidão, o isolamento, as noites que passa sozinho desejando estar em outro lugar.”
Tahir Shah, “Nas noites árabes“.
De uma viagem por aqui…
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Categorias : Mundo, Noite, Solidão, Viajar
#005 ~ Florence and the Machine
19 01 2010Canções pra mim:
“Dog Days Are Over”
“Rabbit Heart [Raise It Up]”
“I’m Not Calling You A Liar”
“Howl”
“Drumming”
“Between Two Lungs”
“Cosmic Love”
“My Boy Builds Coffins”
“You’ve Got The Love”
[Site Oficial]
[Gappon Search]
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Categorias : Álbuns
Abobrinhas não.
19 01 2010Cansei de ouvir abobrinhas
vou consultar escarolas
prefiro escutar salsinhas
pedir consolo às papoulas
e às carambolas
pedir um help ao repolho
indagar umas espigas
aprender com pés de alho
sobre bugalhos
ouvir dicas das urtigas
e dessas tulipas
um toque pro miosótis
um palpite pro alpiste
uma luz da flor de lótus
pedir alento ao cipreste
e pra dama da noite
pedir conselho à serralha
sugestão pro almeirão
idéias para azaléias
opinião para o limão, pimentão
abobrinhas não
Itamar Assumpção
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Categorias : Ceticismo, Humor, Poesia
Bem no fundo.
19 01 2010No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.
Paulo Leminski
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Categorias : Desejo, Felicidade, Poesia, Tempo, Vida
As três perguntas.
19 01 2010Qual é o melhor momento para fazer as coisas?
Quem é mais importante?
Qual é a coisa certa a ser feita?
Baseado em um conto de Tolstoi, Jon J. Muth elabora um precioso material em que o texto, adaptado para um público mais jovem, em belo diálogo com suas impressionantes aquarelas, leva-nos a uma profunda reflexão.
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Categorias : Leitura, Livros
Ainda estás aqui.
15 01 2010Lança teu medo
aos ares
Em breve
acaba teu tempo
em breve
cresce o céu
sob a grama
despencam teus sonhos
nenhures
Ainda
cheira o cravo
canta o melro
ainda tens um amante
e palavras para doar
ainda estás aqui
Sê o que és
Dá o que tens
Rose Ausländer, trad. de Ricardo Domeneck
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Categorias : Poesia, Preceitos, Tempo, Vida
Alguém.
14 01 2010na minha casa você pode flagrar alguém
se escondendo da rotina num quarto escuro
ou batendo a cinza do cigarro na janela
enquanto espia as roupas dançando em silêncio
no varal da área
às três da madrugada
você pode flagrar alguém preocupado
segurando uma caneca com vinho vagabundo
dormindo fora de hora
pensando demais na vida
e no tédio que é
essa falta de paixão.
Bruna Beber
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Categorias : Paixão, Poesia, Tédio






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